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“Estão confundindo interesses pessoais com a instituição”, diz colunista de O Globo sobre caso Luís Pablo

Publicada em: 13/03/2026 14:09 -

As críticas à operação da Polícia Federal contra o jornalista investigativo Luís Pablo chegaram também ao debate nacional. Durante participação em programa de análise política da GloboNews, o jornalista e colunista do jornal O Globo, Merval Pereira, fez duras críticas à postura recente do Supremo Tribunal Federal e citou diretamente o caso envolvendo o ministro Flávio Dino.

Jornalista Merval Pereira

Para o comentarista, a reação de ministros da Corte diante de críticas ou reportagens tem sido marcada por uma lógica de proteção interna que, em sua avaliação, acaba prejudicando a própria instituição.

“O corporativismo do Supremo está superando a importância do próprio Supremo.”

Ao comentar a operação determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após reportagens publicadas pelo jornalista maranhense, Merval afirmou que situações que deveriam ser tratadas como questões pessoais acabam sendo transformadas em conflitos institucionais.

Segundo ele, essa postura aumenta crises e acaba colocando o tribunal no centro de disputas que poderiam ser resolvidas por vias jurídicas comuns.

“Quando você vê o ministro Flávio Dino mandando perseguir um jornalista que falou mal dele lá no Maranhão, não é possível.”

Para o jornalista, eventuais críticas ou reportagens consideradas injustas deveriam ser enfrentadas por meio de ações judiciais, e não por meio de investigações policiais.

“Em vez de mandar a Polícia Federal em cima do jornalista, processa o cara.”

Durante a análise, Merval também afirmou que há uma tendência dentro do Supremo de interpretar conflitos pessoais como ataques institucionais. Ele citou como exemplo o episódio envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no aeroporto de Roma, quando a agressão sofrida pelo magistrado passou a ser tratada como uma questão de segurança institucional da Corte.

“Eles transformam todas as coisas pessoais em institucionais.”

Na avaliação do comentarista, essa lógica contribui para ampliar o desgaste público do Supremo e reforça a percepção de corporativismo entre os ministros.

Segundo ele, quando integrantes do tribunal passam a defender automaticamente colegas em situações controversas, a sociedade deixa de conseguir separar a atuação individual dos magistrados da imagem da instituição.

“Seria possível separar os indivíduos da instituição se eles não se incluíssem no erro. Mas quando todos assumem os erros de um colega, não dá mais para separar.”

Merval também destacou que o Supremo possui um papel essencial dentro da democracia brasileira, especialmente na defesa da Constituição. Para ele, no entanto, essa função não pode ser utilizada como justificativa para blindar atitudes individuais.

“É evidente que o Supremo foi fundamental na luta pela democracia. Mas essa é a função do Supremo: defender a Constituição.”

Ao concluir sua análise, o jornalista afirmou que o comportamento recente de alguns ministros tem ampliado a tensão entre o tribunal e setores da sociedade, além de contribuir para o desgaste da imagem da Corte perante a opinião pública.

“Eles acham que se defender entre si é defender a instituição. Não é verdade. A instituição está acima deles.”

E completou com uma avaliação direta sobre o momento vivido pelo tribunal:

“Eles perderam a cabeça. Perderam completamente o controle da situação.”

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