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Lula critica EUA e denuncia “nova forma de colonialismo” em cúpula internacional

Publicada em: 23/03/2026 07:30 -

Durante discurso neste sábado (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas à atuação dos Estados Unidos e ao que classificou como retomada de práticas colonialistas, durante a 10ª cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos e o Fórum Celac-África, realizados em Bogotá.

Em sua fala, Lula questionou ações internacionais que, segundo ele, violam a soberania de países latino-americanos e caribenhos. O presidente citou situações envolvendo Cuba e Venezuela, levantando críticas à interferência externa e ao uso de força nas relações internacionais.

“Não é possível alguém achar que é dono dos outros países. O que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático?

Ele também mencionou a Organização das Nações Unidas, questionando a legitimidade de intervenções militares e a ausência de mecanismos eficazes para impedir conflitos. Para Lula, não há base legal internacional que justifique a invasão de países soberanos.

Em que documento do mundo está dito isso? Nem da Bíblia. Não existe nada que permita que isso aconteça. É a utilização da força e do poder para nos colonizar outra vez?”.

Outro ponto abordado foi a pressão internacional sobre a Bolívia em relação à exploração de minerais estratégicos, como o lítio, essencial para a produção de baterias e para a transição energética. O presidente defendeu que países da América Latina e da África utilizem esses recursos para promover desenvolvimento tecnológico interno, evitando repetir padrões históricos de exploração.

Lula relembrou o passado colonial de nações latino-americanas, africanas e caribenhas, destacando a exploração de recursos naturais como ouro, prata e diamantes. Segundo ele, o momento atual representa uma oportunidade para que esses países deixem de ser apenas exportadores de matérias-primas e avancem na industrialização.

O presidente também criticou a atuação do Conselho de Segurança da ONU, afirmando que o órgão não tem cumprido seu papel de manter a paz mundial. Ele citou conflitos recentes e questionou a ausência de reformas na estrutura do conselho, defendendo maior representatividade de países da América Latina e da África.

“Aqui, neste plenário, todo mundo tem experiência de que o seu país já foi saqueado em tudo que é ouro que tinha, tudo que é prata, que é diamante, tudo que é minério”, disse.

Além disso, Lula condenou o aumento dos gastos globais com armamentos. Segundo ele, enquanto trilhões de dólares são destinados à guerra, milhões de pessoas ainda enfrentam fome, falta de acesso à energia elétrica e à educação.

“Essa é a guerra que temos que fazer para acabar com a fome na África, na América Latina, acabar com o analfabetismo, acabar com a falta de energia elétrica”, afirmou.

O encontro contou ainda com a participação do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, e do primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, além de representantes de diversos países.

Ao final, Lula defendeu o fortalecimento do multilateralismo e da cooperação entre países da América Latina, Caribe e África, com foco em desafios comuns como combate à fome, mudanças climáticas, transição energética e desenvolvimento tecnológico.

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